quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Bondade Além do Perdão...

O homem aproximou-se do espinheiro. Ergueu a mão para toca-lo
e um "ai!" de dor brotou de seus lábios. Um rubi de sangue
brilhou no seu dedo.

O HOMEM LIMPOU O SANGUE E DISSE, FITANDO O ESPINHEIRO:

- EU TE PERDÔO!

Admirei e louvei dentro de mim aquele homem que possuía o doce
dom de perdoar.
E aconteceu que veio outro homem. Parou junto ao espinheiro, ergueu
a mão para tocá-lo, e o espinho o picou.
Mas o homem limpou em silêncio a ferida, contemplou com amor o
Espinheiro, e não disse nada!

TIVE, ENTAO, ESTE PENSAMENTO:

"O PRIMEIRO HOMEM ERA UM SANTO: SABIA PERDOAR!
ESTE OUTRO NÃO SABE!"

Mas o meu Senhor, interropendo a minha cisma, disse:
- Quem não sabe é você!
- Como, Senhor? Então aquele homem...
- Sim, é um santo, porque perdoou quando foi preciso!
- E o segundo?
- É mais santo ainda, porque não tem necessidade de perdoar.
E como eu fiquei perplexo, com o olhar perdido na incompreensão e
na dúvida, o Senhor me disse:

- O ESPINHEIRO FERE PORQUE É ESPINHEIRO. AINDA
QUE ELE QUISESSE, JAMAIS PODERIA PERFUMAR. O
PRIMEIRO HOMEM ATRIBUIU A CULPA AO ESPINHEIRO.
MAS, COMO ERA PURO DE CORAÇÃO, PERDOOU.

E Continuou:

- O outro homem sentiu a mesma dor, mas como sabia que todo
espinheiro fere, pois o espinheiro é assim, não se sentiu ofendido. E
como não tinha a perdoar, não perdoou.

DESDE ENTÃO, SOFRO MENOS QUANDO OS ESPINHOS
ME FEREM. DÓI-ME NA ALMA A FERIDA, MAS MINHA
ALMA SABE QUE NÃO HÁ OFENSA. E COMO NÃO HÁ
OFENSA, NÃO HÁ PERDÃO.

É assim que do meu peito brota um piedoso amor pelo espinho que
não chegou a se flor. Meu sofrimento se transforma em ternura
porque já aprendi a não perdoar...

Moral da historia:

Tanto temos exaltado os benefícios do perdão sabendo,
especialmente, o quanto é difícil praticar este dom – o
de perodar – com aqueles que nos fazem sentir ofendidos
e feridos... e agora um novo modo, ainda mais nobre de ser,
é sugerido: o de nem precisamos perdoa, simplesmente
por termos aprendido, a não nos deixarmos ofender, por
compreendermos que cada pessoa nos dá exatamente
aquilo que pode. Buscávamos a pureza de alma e agora
podemos buscar a santidade. Entretanto, tão longe estamos
de tudo isso... porque na maioria das vezes, sequer conseguimos
perdoar. Continuamos mergulhados em nossa dor, em nossas
razões e em nossos julgamentos. Continuamos criticando,
apontando o dedo e condenando as atitudes alheias.

Dica!
Comecemos do começo. Perdoar está difícil? Então, o que
ao menos não alimentemos a raiva. Compreender está difícil?
Então, que ao menos paremos de acusar, culpar e difamar.
Apaziguar está difícil? Então, que ao menos consigamos nos
lembrar das tantas vezes em que também nós erramos e
não sabemos como voltar atrás.
Por Rosana Braga – Conferista, escritora e especialista
em relacionamento interpessoais.

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