terça-feira, 14 de julho de 2009

BENDITOS OLHOS AZUIS

BENDITOS OLHOS AZUIS

Passando por uma loja, que comercializa animais, vi uma gaiola com alguns gatinhos e uma placa com estes dizeres: "Escolha e leve, gratuitamente, quantos quiser." Parei para ver. Eles eram muito bonitos, alegres e brincalhões. Ao lado havia outra gaiola também com gatinhos. O vendedor logo disse que aqueles não eram gratuitos, não! - Esses são siameses, são gatos chiques, de olhos azuis. Esses custam cem reais cada um. É difícil entender por que tanta diferenca. Apesar de seus olhos serem muito bonitos, no restante eram até bastante parecidos com os anteriores. Durante aqueles minutos em que ali fiquei, diversas pessoas demonstraram interesse em saber o preco dos siameses. Quanto aos outros, nem de graça. Com os cachorros também acontece o mesmo. Aqueles sem pedigree e sem raça definida ficam enjaulados à espera de alguém que os leve. Do pedigree depende seu futuro. Da linhagem dependem a acolhida e o respeito que aqueles animais poderão receber. A procedência é que determina se merecem, ou não, carinho e amor.


Reflexão: Com os seres humanos acontece o mesmo. São milhares de criancas nas ruas, outras milhares encontram-se em instituicões e orfanatos. Se não aparecer alguém que as adote, fatalmente acabam abandonadas. Infelizmente, por falta de adoção, milhares acabam na rua. A grande maioria não é adotada por não preencher os requisitos. Por não ter a cor da pele desejada, por não ter OLHOS AZUIS. Esta nossa postura machuca. Nosso critério de seleção fere. Fere o irmão, fere a moral, fere os ensinamentos, fere nosso próprio Pai, que tanto nos ama e não quer ver seus filhos separados por classe social, raça ou cor. Quem acha que um felino ferido é perigoso, com certeza desconhece o perigo que representa um ser humano moralmente ferido. Certamente ainda não entendeu estas palavras: "Aquele que receber em Meu nome uma destas criancas, estará recebendo a Mim. E quem Me receber, não estará recebendo a Mim, mas Aquele que Me enviou (Mc 9,37)".
Jorge Lorente

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